Nas cooperativas de crédito, a governança nasce da base. Diferentemente do sistema financeiro tradicional, em que decisões estratégicas costumam ser tomadas por estruturas distantes do cotidiano dos clientes, no cooperativismo são os próprios associados que conduzem os rumos da instituição. É essa lógica que confere vitalidade ao modelo: o usuário é também dono, responsável e protagonista.
Esse protagonismo se concretiza nas assembleias, instâncias oficiais em que os cooperados, convocados por edital nos canais da cooperativa, exercem seu direito de voz e voto. Não se trata de um ritual burocrático, mas de um espaço efetivo de construção coletiva — onde transparência, diálogo e responsabilidade compartilhada se encontram para orientar o futuro da organização. O voto é igualitário, independentemente do número de cotas ou do volume de movimentação, o que assegura que cada pessoa tenha o mesmo peso nas deliberações e que as decisões reflitam a pluralidade da base.
Ao longo das assembleias, são apreciados e decididos temas essenciais, como a prestação de contas, a análise das demonstrações financeiras, a destinação das sobras e a eleição dos conselhos. A Assembleia Geral Ordinária — realizada anualmente, conforme a legislação cooperativista — reúne as pautas estruturantes da governança. Sempre que necessário, Assembleias Gerais Extraordinárias são convocadas para tratar de assuntos específicos que demandam deliberação coletiva. Em muitas cooperativas, a governança se fortalece com a dinâmica dos núcleos, que se reúnem previamente para amadurecer debates e consolidar posicionamentos. A partir desses encontros, delegados eleitos levam à Assembleia Geral a síntese fiel da vontade do grupo, elevando o nível de representatividade e garantindo que as decisões sejam mais informadas, legítimas e conectadas às realidades locais.
A cultura cooperativista se sustenta em valores como solidariedade, transparência e equidade. Ao participar das assembleias, o associado acompanha de perto a saúde da instituição, contribui para a definição de prioridades, valida metas e elege os representantes que cuidarão da condução estratégica e do controle — uma participação que se converte em desenvolvimento para a cooperativa e em benefícios concretos para a comunidade. Quanto maior a presença dos cooperados, mais qualificados se tornam os debates, mais amplas as perspectivas consideradas e mais robusto o senso de pertencimento e corresponsabilidade. É assim que a cooperativa deixa de ser percebida apenas como uma prestadora de serviços financeiros e se afirma como um projeto coletivo, sustentado por decisões que nascem do chão da comunidade.
Para além dos resultados numéricos e das obrigações estatutárias, as assembleias têm um papel formador: educam para a cidadania econômica e fortalecem a confiança mútua entre cooperados e gestão. Cada participação amplia a representatividade, legitima as resoluções e alinha a instituição aos desafios e oportunidades do território. É um processo virtuoso: quando a base participa, a governança melhora; quando a governança melhora, a cooperativa entrega mais valor; e, quando entrega mais valor, a participação tende a crescer.
Para o Diretor-Presidente Luiz Lesse, essa é uma dimensão inegociável do nosso modelo. “As assembleias são o momento em que o cooperativismo prova sua essência. É quando cada associado traz sua visão, ajuda a construir as decisões e compartilha a responsabilidade pelos resultados. Quanto mais gente participa, mais justa, transparente e sustentável se torna a nossa gestão”, afirma.