Empregados, conselheiros e diretores participaram do maior congresso de cooperativismo financeiro do mundo, em uma imersão sobre tecnologia, pessoas, sustentabilidade, economia e o futuro do setor
O que acontece quando uma cooperativa precisa decidir sobre o crédito de um produtor afetado por uma seca, ao mesmo tempo em que precisa acompanhar a inteligência artificial, as mudanças regulatórias, o Open Finance e um consumidor que espera relações cada vez mais digitais?
Foi a partir de questões como essa que o 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (CONCRED) reuniu, de 26 a 28 de agosto, em Goiânia, mais de 60 especialistas e milhares de representantes do setor. Com o tema “Cooperativismo Financeiro: no campo e na cidade, juntos na construção de um futuro sustentável”, o congresso colocou em discussão os desafios que já fazem parte da realidade das cooperativas, e aqueles que começam a desenhar os próximos anos do setor.
O Sicoob Executivo esteve representado por empregados, conselheiros e diretores. A participação permitiu acompanhar diferentes perspectivas sobre o ambiente econômico e institucional das cooperativas, além de conhecer experiências e soluções apresentadas por outras organizações do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC).
Para o Sicoob Executivo, a participação no congresso também ganhou um significado institucional importante. O diretor-presidente da cooperativa, Luiz Lesse Moura, é presidente da CONFEBRAS, entidade responsável pela realização do CONCRED no biênio 2025-2027. À frente das duas instituições, Lesse acompanhou o encontro sob a responsabilidade de representar a Confederação e, ao mesmo tempo, a cooperativa da qual é presidente.
“O CONCRED é um momento de encontro do cooperativismo, de troca de experiências e de discussão sobre os caminhos que queremos construir para o nosso setor. Para mim, é uma responsabilidade muito grande estar à frente da Confebras na realização deste congresso e, ao mesmo tempo, representar a cooperativa em que estou presidente, o Sicoob Executivo. São papéis diferentes, mas que têm em comum o compromisso com o fortalecimento do cooperativismo”, destacou.
Dia 1 | Um congresso para discutir o futuro do setor
O primeiro dia foi dedicado à abertura oficial do congresso, com a presença de mais de 2,6 mil congressistas de diferentes regiões do país, além de autoridades e lideranças do cooperativismo. Mais do que apresentar a programação, a abertura ajudou a contextualizar o momento vivido pelo cooperativismo financeiro.
O setor chega ao congresso depois de registrar crescimento superior ao do restante do Sistema Financeiro Nacional. Dados do Banco Central apresentados na abertura, apontam que a carteira de crédito das cooperativas avançou 13,1% em 2025, enquanto o crescimento no restante do sistema financeiro foi de 8,5%. A captação das cooperativas cresceu 17,6%, diante de 10,4% dos bancos comerciais, e os ativos ultrapassaram, pela primeira vez, R$ 1 trilhão. Esse crescimento, porém, traz novos desafios. Quanto maior a presença das cooperativas, maior também a necessidade de discutir capacidade tecnológica, gestão de riscos, governança, capital, regulação e qualificação das pessoas.
Para Vilmar Braga, Diretor de Relacionamento com Associados e Negócios do Sicoob Executivo, esse foi um dos principais aprendizados do primeiro dia: “O primeiro dia ajudou a dimensionar o momento que o cooperativismo financeiro está vivendo. O setor cresceu, ganhou espaço e passou a ter uma responsabilidade ainda maior no desenvolvimento das comunidades. Estar aqui nos faz perceber que os desafios também aumentaram e que precisamos estar preparados para eles.”
Dia 2 | Inteligência artificial, comportamento e economia entram na mesma conversa
No segundo dia de congresso, os debates ganharam ritmo e colocaram no centro questões que estão transformando diretamente o trabalho das instituições financeiras. Um dos destaques foi a palestra “Tendências de consumo – impactos nas cooperativas de crédito”, apresentada pelo antropólogo Michel Alcoforado. A discussão partiu de uma constatação importante para qualquer instituição que trabalha com relacionamento: os hábitos das pessoas mudam antes de os mercados se adaptarem completamente a eles. Para as cooperativas, compreender essas mudanças significa entender melhor como os associados querem ser atendidos, como escolhem produtos e serviços e o que esperam de uma instituição financeira.
O mesmo dia também trouxe o debate sobre inteligência artificial. Na palestra “Cooperativismo na Era da Inteligência Artificial: como liderar a transformação sem perder a essência”, Silvio Meira, Fundador e Cientista-Chefe da TDS.company, discutiu justamente o ponto de tensão entre inovação e identidade. O desafio não é simplesmente adotar novas tecnologias, mas decidir como utilizá-las para melhorar a experiência dos cooperados sem transformar a proximidade em uma característica do passado.
“Uma das coisas mais interessantes foi perceber como assuntos que parecem separados estão, na verdade, conectados. Tecnologia, comportamento, economia e pessoas impactam diretamente a forma como uma cooperativa trabalha. A inteligência artificial, por exemplo, não é apenas uma questão de tecnologia. Ela muda processos, exige novas competências e pode mudar a forma como nos relacionamos com os associados”, Marieli Lobato, Gerente de Infraestrutura do Sicoob Executivo.
Dia 3 | Liderança, sustentabilidade, Open Finance e regulação
Na plenária principal, Denise Hills, Presidente do Conselho Consultivo do Instituto Equilíbrio, falou sobre a transição “Da sustentabilidade à regeneração”, relacionando mudanças climáticas, gestão de riscos, investimento de impacto e desenvolvimento econômico. A discussão mostrou como sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a integrar decisões estratégicas das organizações.
“O último dia trouxe uma reflexão muito forte sobre o que acontece depois que voltamos para a nossa rotina. A gente pode ouvir dezenas de ideias e conhecer soluções incríveis, mas o verdadeiro valor está em conseguir transformar esse conhecimento em alguma coisa útil para a cooperativa. É isso que eu levo do CONCRED: a responsabilidade de fazer o aprendizado chegar ao nosso trabalho.”, ressaltou Mayara Lopes, Analista de Recuperação de Crédito do Sicoob Executivo.
No terceiro dia do evento, os participantes também acompanharam debates voltados à temática de liderança e governança com destaque para a palestra “NR-1 e o Futuro do Trabalho: saúde mental como estratégia de performance e sustentabilidade”, ministrada por Renata Rivetti, fundadora da Reconnect Happiness at Work. A palestra abordou os desafios das organizações diante das novas exigências relacionadas à saúde mental no ambiente corporativo, destacando o papel da liderança na promoção do bem-estar, do engajamento e da sustentabilidade dos negócios.
“A palestra trouxe uma visão muito atual sobre a responsabilidade das organizações em criar ambientes de trabalho psicologicamente seguros e saudáveis. Como profissional da área de riscos, considero especialmente relevante a discussão sobre o mapeamento dos riscos psicossociais previsto na NR-1, que exige das instituições um olhar mais atento para fatores que podem impactar a saúde mental dos colaboradores. O tema mostra que o cuidado com as pessoas precisa fazer parte da gestão de riscos, da governança e da estratégia das organizações, contribuindo para ambientes de trabalho mais equilibrados e equipes mais preparadas para os desafios do futuro”, destaca Thaís dos Santos, Analista de Gestão de Riscos e Controles Internos.
Para quem não esteve em Goiânia, talvez o mais importante seja entender que o CONCRED não foi apenas um congresso sobre cooperativismo. Foi um grande fórum de discussão sobre como uma instituição financeira cooperativa deve se preparar para um ambiente que muda rapidamente. Os debates passaram por assuntos que têm impacto direto sobre a rotina das cooperativas. Ao mesmo tempo, permanece uma questão central. O que não pode mudar na essência do cooperativismo? A própria organização do congresso colocou essa tensão no centro da programação ao propor o uso de tecnologia, dados e inteligência artificial sem abandonar a dimensão humana do modelo.
É nesse ponto que a participação do time do Sicoob Executivo ganha importância. Ter profissionais de diferentes áreas acompanhando essas discussões amplia o repertório interno da cooperativa. Permite que decisões sejam tomadas com uma visão mais ampla do setor, que novas práticas sejam conhecidas e que experiências de outras instituições possam inspirar soluções para problemas locais. Não se trata, portanto, apenas de trazer informações de um congresso para Brasília. Trata-se de entender melhor o ambiente em que o Sicoob Executivo está inserido.
Uma participação que também representa
O Sicoob Executivo esteve presente no CONCRED também por meio de seu diretor-presidente, Luiz Lesse Moura, que ocupa a presidência da Confebras, entidade responsável pela realização do congresso. Os dois papéis não são os mesmos, mas convergem em uma responsabilidade comum: contribuir para o fortalecimento do cooperativismo financeiro.
Durante a apresentação do congresso, Lesse destacou justamente a necessidade de o setor continuar crescendo sem perder a proximidade que o diferencia.
“O CONCRED chega à sua 16ª edição refletindo o próprio momento do cooperativismo financeiro. Crescemos, ganhamos presença e relevância, mas esse avanço também traz novos desafios. Reunir as principais lideranças do setor é uma oportunidade de olhar para o que construímos e, principalmente, discutir como vamos continuar crescendo de forma sustentável, sem perder a proximidade com as pessoas, com os negócios e com as comunidades que estão na essência do nosso modelo.”
Ao final dos três dias, uma mensagem atravessou praticamente toda a programação. O cooperativismo financeiro terá de ser cada vez mais tecnológico, estratégico e preparado para mudanças, mas sem deixar de ser cooperativismo.
Para o Sicoob Executivo, levar a delegação a esse debate significa ampliar a capacidade da própria cooperativa de interpretar o presente e se preparar para o que vem pela frente. Porque conhecimento só cumpre seu papel quando deixa de ser conteúdo de congresso e passa a fazer parte das decisões, dos processos e da relação com quem está na outra ponta, o associado.